<i>Tyco</i> sem fundamento
O SIESI/CGTP-IN requererá a anulação da suspensão de um terço dos contratos de trabalho na Tyco, em Évora, se daí resultarem reduções nos rendimentos dos trabalhadores e propõe, como alternativa, a formação profissional.
«A crise deve ser paga por quem a provocou»
A multinacional norte-americana, fabricante de componentes eléctricos para automóveis, anunciou, dia 7, a intenção de suspender os contratos de trabalho de 536 trabalhadores, um terço dos cerca de 1600 funcionários da maior unidade industrial do Alentejo, e reduzir-lhes os rendimentos a dois terços, durante o período de suspensão, tendo justificado a medida com as quebras nas receitas e nas encomendas, em resultado da crise no sector automóvel.
Em declarações ao Avante!, o dirigente do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, Rogério Silva, depois de uma reunião com a administração, na segunda-feira, salientou que
«a crise na empresa não se deve a qualquer mau desempenho dos trabalhadores, nem foram eles que a provocaram», lembrando que, se ela existe, «deve é ser paga por quem a provocou, especulando na bolsa com os dinheiros da empresa». Essa foi a decisão saída do plenário de dia 8.
«Quem tiver o contrato suspenso não poderá ser prejudicado nos seus rendimentos», afirmou o dirigente sindical avisando que, «caso contrário, os trabalhadores e as suas estruturas representativas requererão a anulação da medida».
Outro motivo que está a fazer o sindicato ponderar o pedido de anulação foi igualmente apurado durante a reunião de segunda-feira, quando os representantes sindicais constataram que, «afinal, e de acordo com os dados fornecidos pela própria empresa, não há motivo para se suspender 536 contratos», uma vez que os dados que nos forneceram comprovam que as quebras nos resultados», segundo Rogério Silva, «não justificam tantas suspensões».
A Tyco tem também uma secção de componentes para aeronáutica, com cerca de 70 trabalhadores, que não está relacionada com o ramo automóvel. «Também não há nenhum motivo que justifique a suspensão de contratos nesta secção», salientou o dirigente do SIESI.
Para ontem, estava marcada nova reunião entre os representantes dos trabalhadores e a administração.
Há alternativas
Como alternativa à suspensão dos contratos, o sindicato propôs um plano de formação profissional que garanta a manutenção dos rendimentos dos trabalhadores, afirmou Rogério Silva.
No passado dia 23 de Outubro, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, um contrato de investimento, com a Tyco, no valor de 23 milhões de euros, tendo a multinacional assumido o compromisso de manter 1485 postos de trabalho, criar mais cinco, e converter a unidade para que possa passar a produzir três novos modelos de relés.
No dia 19 de Dezembro, a unidade, instalada na região há mais de 30 anos, já tinha suspendido a produção durante duas semanas, período em que apenas permaneceram a manutenção e um pequeno grupo de secções, prejudicando, sobretudo, a produção de relés, o produto principal da fábrica.
Governo conivente
Num boletim distribuído aos trabalhadores, intitulado «É tempo de lutar, é tempo de mudar», o PCP salienta que nos anos em que a empresa teve bons resultados, isso não se reflectiu nos rendimentos dos trabalhadores. Por isso, rejeita que, em resultado da actual situação, sejam os trabalhadores os primeiros prejudicados, e salienta que «tudo isto acontece com a conivência do Governo».
O documento foi distribuído, segunda-feira, durante uma visita de solidariedade, de uma delegação comunista à porta das instalações da empresa, onde participou o deputado João Oliveira.
Num comunicado divulgado pelo Grupo Parlamentar, o PCP avisou que «está em causa a maior unidade industrial do Alentejo, cujo impacto económico vai muito para além da região e dos postos de trabalho directos». Os deputados comunistas João Oliveira e Agostinho Lopes apresentaram, dia 9, na Assembleia da República, um requerimento reclamando uma audição ao ministro da Economia para que preste esclarecimentos sobre a situação.
Em declarações ao Avante!, o dirigente do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, Rogério Silva, depois de uma reunião com a administração, na segunda-feira, salientou que
«a crise na empresa não se deve a qualquer mau desempenho dos trabalhadores, nem foram eles que a provocaram», lembrando que, se ela existe, «deve é ser paga por quem a provocou, especulando na bolsa com os dinheiros da empresa». Essa foi a decisão saída do plenário de dia 8.
«Quem tiver o contrato suspenso não poderá ser prejudicado nos seus rendimentos», afirmou o dirigente sindical avisando que, «caso contrário, os trabalhadores e as suas estruturas representativas requererão a anulação da medida».
Outro motivo que está a fazer o sindicato ponderar o pedido de anulação foi igualmente apurado durante a reunião de segunda-feira, quando os representantes sindicais constataram que, «afinal, e de acordo com os dados fornecidos pela própria empresa, não há motivo para se suspender 536 contratos», uma vez que os dados que nos forneceram comprovam que as quebras nos resultados», segundo Rogério Silva, «não justificam tantas suspensões».
A Tyco tem também uma secção de componentes para aeronáutica, com cerca de 70 trabalhadores, que não está relacionada com o ramo automóvel. «Também não há nenhum motivo que justifique a suspensão de contratos nesta secção», salientou o dirigente do SIESI.
Para ontem, estava marcada nova reunião entre os representantes dos trabalhadores e a administração.
Há alternativas
Como alternativa à suspensão dos contratos, o sindicato propôs um plano de formação profissional que garanta a manutenção dos rendimentos dos trabalhadores, afirmou Rogério Silva.
No passado dia 23 de Outubro, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, um contrato de investimento, com a Tyco, no valor de 23 milhões de euros, tendo a multinacional assumido o compromisso de manter 1485 postos de trabalho, criar mais cinco, e converter a unidade para que possa passar a produzir três novos modelos de relés.
No dia 19 de Dezembro, a unidade, instalada na região há mais de 30 anos, já tinha suspendido a produção durante duas semanas, período em que apenas permaneceram a manutenção e um pequeno grupo de secções, prejudicando, sobretudo, a produção de relés, o produto principal da fábrica.
Governo conivente
Num boletim distribuído aos trabalhadores, intitulado «É tempo de lutar, é tempo de mudar», o PCP salienta que nos anos em que a empresa teve bons resultados, isso não se reflectiu nos rendimentos dos trabalhadores. Por isso, rejeita que, em resultado da actual situação, sejam os trabalhadores os primeiros prejudicados, e salienta que «tudo isto acontece com a conivência do Governo».
O documento foi distribuído, segunda-feira, durante uma visita de solidariedade, de uma delegação comunista à porta das instalações da empresa, onde participou o deputado João Oliveira.
Num comunicado divulgado pelo Grupo Parlamentar, o PCP avisou que «está em causa a maior unidade industrial do Alentejo, cujo impacto económico vai muito para além da região e dos postos de trabalho directos». Os deputados comunistas João Oliveira e Agostinho Lopes apresentaram, dia 9, na Assembleia da República, um requerimento reclamando uma audição ao ministro da Economia para que preste esclarecimentos sobre a situação.